Puxaste-me, com as tuas mãos delicadas e pedis-te para eu me aproximar. A tua voz parecia trémula, mas sincera. O meu coração batia de expectativa e o acredito que o teu coração também batesse tanto ou mais rápido que o meu. Com os teus olhos vidrados nos meus, seguraste a minha mão da mesma forma delicada. Sentia o teu nervosismo como um choque electrizante que me percorria o corpo através das tuas pontas dos dedos. Abriste a boca, como quem fosse pronunciar algo e no instante seguinte fechaste-a. Pensei que tivesses perdido a coragem para admitires o que há tanto sentíamos um pelo outro. Ficámos os dois em êxtase, esquecemos o ambiente em que nos encontrávamos: os cacifos sujos ao nosso lado e o barulho habitual da hora do intervalo entre alunos e professores. Voltaste a abrir a boca e balbuciaste as seguintes palavras no mesmo tom trémulo e nervoso.
- Sofia, gosto de ti. Aliás, gosto muito de ti. Há muito que te queria dizer isto mas nunca tive coragem.
Um silêncio profundo abafou aquele ambiente escolar. O meu olhar continuava vidrado no teu e vice versa. Queria responder-te mas a minha voz simplesmente não saía. Por fim disses-te:
- E gostava imenso de namorar contigo.
(Continua)
1 comentário:
Quero ver a continuação! *.*
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