sábado, 16 de abril de 2011

É em casos como estes que um olhar vale mais que mil palavras


O sol brilhava intensamente sob a areia daquela praia já tão nossa conhecida, a água estava límpida como nunca estivera até aí. O calor fazia-se sentir como em meados do mês de Agosto, um calor perturbante ao ponto de deixar os mais sensíveis com dor de cabeça. Debaixo do guarda-sol às riscas vermelhas e brancas os nossos olhares trocavam-se como se esperássemos ansiosamente pela próxima palavra ou acção um do outro e não apenas pela próxima jogada no divertido jogo de cartas que ia decorrendo entre os nossos amigos. Infelizmente não passávamos daí, meros olhares sem uma única palavra pronunciada. Quando a tua boca se abria em gesto de quem ia articular alguma coisa, no instante seguinte fechava-se como quem se arrependeu de a ter aberto. Acho que na altura era vergonha e sem dúvida que aquele não era o momento mais adequado para termos a conversa que necessitávamos. Mas os olhares vidrados continuavam. Conhecia todas as tuas expressões, os teus olhares, a maneira como encaravas cada situação. Conhecia-te como a palma da minha mão. Era bonito o que sentíamos um pelo outro. Não sei se era amor ou mera atracção mas era um sentimento lindo. Eu gostava de ti, gostava de ti como nunca tinha gostado de ninguém. E os meus amigos sabiam disso, sempre o tinham dito e eu sempre o negara, mas naquele momento soube que gostava de ti. Gostava de ti simplesmente pela tua personalidade. E adorava gostar de alguém como tu. Eras especial. Eras mais que um amigo ou mais do que qualquer outra pessoa. Chegas-te a ser o tal. Gostava de olhar para ti, sentir que olhavas para mim e de sorrir-mos os dois ao mesmo tempo quando percebíamos que tínhamos sido "apanhados". Gostava imenso de gostar de ti, fazias-me feliz, como nunca ninguém o tinha feito.

(Continua...)

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